segunda-feira, 9 de abril de 2012
Apoteótico
Eu acordei sexta era umas 10h da manhã, esperei as garotas chegarem em casa para nós fazermos o trabalho da faculdade e, quando foi umas 18h, já havíamos terminado. Confesso que fiz todo o trabalho com uma certa pressa, esperando acabarem logo para eu poder só pensar no show. 19:45 meu amigo Gilles me liga para nós comprarmos as coisas para levar na fila, água, refrigerante, salgadinhos, bolacha e outras coisas tão saudáveis quanto. Saímos de casa pro volta das 20:30 durante a procissão que passava pelo meu bairro e, com o poder da ironia simbolizando a descrença, fizemos algumas piadas sobre o acontecimento. Entre conversas e silêncio, várias coisas me passavam pela cabeça, afinal era meu primeiro festival, meu primeiro show de uma banda grande e era o show da minha banda favorita, ouço boatos sobre a vinda do Foo Fighters ao Brasil fazem mais ou menos 5 anos e sempre encarei com uma certa positividade, tamanha era a vontade de vê-los no palco.
Após um longo tempo esperando o Renato no tatuapé, seguimos para o Jockey Club. Chegamos na fila perto das 23h, que estava vazia, com no máximo 30 pessoas das 75 mil esperadas. Como de costume, fizemos amizade com mais umas 15 pessoas na fila só para tornar a madrugada um pouco mais agradável e nela conhecemos um paranaense drogado, uma brasiliense feminista, um gaucho apaixonado e um cara que eu não sabia da onde tinha surgido. Quando eram mais ou menos 9h da manhã do sábado as filas começaram a tomar seus lugares e eu, nada bobo, me tornei o primeiro dos primeiros de todas as filas. 11h o portão abriu. Eu tinha prometido para a garota atrás de mim "vou correr como se a minha vida dependesse disso", e eu tentei, juro que tentei, mas só de ver a distância entre a entrada e o palco você já desanima, então eu parei de correr um pouco, comecei a caminhar para recuperar o fôlego e voltei a correr. Consegui a grade, eu sabia que seria difícil aguentar ficar ali, mas eu estava na grade.
O primeiro show da noite era de um grupo chamado Ritmo Machine -uma espécie de Marcelo D2 do Chile-, que tocava um hip-hop meio funk (funk bom) meio batucada do Timbalada. Eu curti o som dos caras, e eles deram sorte de começar o dia porque todo mundo ali já estava ciente de que o principal show da noite iria demorar muito, então entraram na onda do rap apresentado por eles. Se eu não me engano o segundo show foi do Marcelo Nova, show digno de um rockeiro das antigas, tudo bem que eu conhecia só uma música e nem era por ele (Acústico Mtv - Charlie Brown Jr. part. Marcelo Nova - Hoje), mas o som dele é muito bom. O terceiro show da noite foi d'O Rappa, que tocou seus sucessos e tudo mais, mas a melhor músicas que eles tocaram foi Killing in the name do Rage, nada contra o som deles, mas Rage é Rage, né. A pior banda do palco principal foi, ironicamente, a que antecedeu o show do Foo Fighters, uma tal de Tv On The Radio. Haja coração, banda, som, estilo musical, tudo muito ruim, fiquei até surpreso deles não terem sido vaiados.
No final do penúltimo show já eram 19:15h e todos ali estavam com o mesmo pensamento "está chegando a hora...". O show do Foo Fighters estava marcado para 20:30h, logo, seriam 1:15h de espera... Foram as 1:15h mais longas da história da humanidade. Ninguém mais aguentava de ansiedade. 20:30h. Eles entraram. Meu coração quase pula pela boca quando eu vejo o Dave Grohl correndo pra frente do palco, em um piscar de olhos eu lembrei da primeira música que eu ouvi do Foo Fighters, dos CD's que eu tinha, de como eu aprendi a gostar, de como eu virei fã e de tudo que tinha me levado até aquele momento. Eles abriram o show com a música que eu mais gosto deles "All My Life", mas só foram se apresentar -humildemente, diga-se de passagem- lá pela 3° ou 4° música. O show em si foi histórico, marcante, mas dois momentos em específico são válidos de lembrar: A hora que o Taylor cede o lugar na bateria para o Dave Grohl me fez lembrar do documentário que mostrava como o melhor baterista da melhor banda da época tinha chegado até ali, e por tudo que ele tinha passado pra que isso acontecesse. Em segundo é umas das músicas que mais me emociona "My Hero"... Sim, eu chorei nessa música. A carga emocional que ela me trás é muito grande. Após a hilária parte do bis, eles tocaram mais 6 músicas (duas delas com a Joan Jett) e finalizaram com Everlong. Foram quase 2:40 de show, e eu queria mais, muito mais. Não acreditava em tudo que tinha acontecido ali, mas eu tinha que ir embora, depois de tudo, tinha acabado.
Depois de muita confusão, consegui chegar em casa lá pelas 3 da madrugada. O corpo já tinha esquecido a dor, a fome, a sede, o sono, tudo. Pacientemente lavei a louça e tomei um demorado banho, não conseguia me concentrar no que eu tinha mais para fazer. Pensei no saldo da noite. 42 horas diretas acordado, 30 horas sem banho, 20 sem comer, 50 reais a menos nas minhas provisões e um dos dias mais felizes da minha vida. Fui dormir sabendo que pouquíssimas coisas ficariam tão marcados na minha vida como aquela noite.
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